segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como são os 2.044 blindados VBTP-MR Guarani que o Brasil vai fabricar?


Um projeto de seis bilhões de reais ao longo de 20 anos vai produzir mais de duas mil unidades de um veículo blindado que você deveria conhecer melhor – afinal de contas, ele será pago com o seu dinheiro, e pode garantir a sua segurança.
VBTP-MR é a sigla para Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Média sobre Rodas. Batizado de Guarani, sua missão básica é ser o chamado “táxi de combate”, o transporte de tropas utilizado para deslocamentos em situações de risco. Desenvolvido a partir da família Centauro italiana, o veículo teve seu projeto final conduzido pelo Exército Brasileiro junto com a IVECO, a divisão da Fiat responsável por caminhões.
Nada menos que 2.044 unidades serão fabricadas, num contrato de seis bilhões de dólares previsto para durar até 2032. Os primeiros exemplares estão sendo montados com componentes importados, mas uma linha de produção em Sete Lagoas (MG) deve entrar em operação no decorrer de 2012, com toda uma cadeia de fornecedores capaz de garantir um índice de nacionalização da ordem de 60%.
Além da encomenda interna, há a expectativa de que o blindado seja vendido para outros países da região – a Argentina, por exemplo, já mandou alguns de seus militares darem uma olhada. Mas muito além dos aspectos industriais e econômicos, você que não acompanha muito o assunto deve estar se perguntando: precisamos mesmo de mais de dois mil veículos militares de alta tecnologia num país como o Brasil?
A resposta é simples e indiscutível: claro que precisamos. Eu, minha avó de 92 anos e meu sobrinho de quase quatro sabemos que o mundo ideal vive todo em paz, baseado em respeito e compreensão, sem a necessidade de exércitos, conflitos e armas. Mas o mundo ideal nunca existiu, e provavelmente nunca vai existir. Forças armadas com capacidade de dissuasão – ou seja, capazes de desestimular possíveis agressões – são mais do que desejáveis: são obrigatórias para todo país com importância geopolítica.
O transporte de tropas no Exército Brasileiro hoje é dividido entre dois veteranos que necessitam de urgente substituição. Centenas de EE-11 Urutu e M113 (a maioria tão velhinhos que já poderiam rodar com placa preta) estão chegando ao limite da vida útil, e já não oferecem proteção suficiente nem contra traficantes bem-armados – basta lembrar que, em todas as vezes em que as Forças Armadas foram convocadas para ajudar a Polícia do Rio de Janeiro, quem mostrou serviço foi o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha, e não o Exército.
O novo VBTP Guarani é uma viatura blindada sobre rodas, um nível abaixo da complexidade de blindados sobre esteiras como o M2 Bradley americano, o Warrior inglês e a série BMP russa. Esteiras oferecem desempenho superior em terreno off-road, enquanto rodas permitem que o veículo tenha mais autonomia e menos trabalho de manutenção.
Com peso na casa das 18 toneladas e capacidade para transportar 11 militares (três tripulantes e oito soldados armados e equipados), o Guarani possui arquitetura modular, e começa a ser fabricado a princípio em duas versões. A primeira será um transportador de tropas básico, com armamento leve. A segunda, mais preparada para combates, pode ser classificada como um IFV (Infantary Fighting Vehicle) e inclui uma moderna torre não-tripulada Elbit UT30.
Esta torre de projeto israelense porta um canhão de 30 mm estabilizado, capaz de disparos em movimento, equipado com miras ópticas e termais, telêmetro laser, computador balístico e rastreador automático de alvos. Em viaturas de transporte, uma arma desse tipo tem como missão a supressão de fogo inimigo e o combate a outros blindados – contanto que não sejam tanques, geralmente invulneráveis a calibres assim.
No arranjo montado no primeiro VBTP Guarani, a torre UT30 também inclui um Laser Warning System (LWS) capaz de alertar a presença de feixes de raio laser inimigos que o estejam enquadrando como alvo.
 

Além disso, a arquitetura modular permite o surgimento de diversas variantes, como veículos de comunicação e controle, ambulâncias de combate, viaturas armadas com morteiros e caçadores equipados com canhões mais pesados. O veículo básico possui casco inferior em formato de V (para minimizar danos causados por minas) e blindagem leve, resistente apenas a munições de fuzil 7,62 mm, mas placas de proteção adicionais podem ser instaladas com certa facilidade.
O motor escolhido foi um Iveco turbodiesel da série Cursor 9, com cerca de 390 cavalos de potência e 153 kgfm de torque a 1.400 rpm, força capaz de fazer o veículo atingir 100 km/h no asfalto. Todas as seis rodas são tracionadas, e contam com suspensão hidropneumática independente. A transmissão automática é de seis marchas, e os freios a disco possuem ABS – felizmente, afinal parar um bicho de 18 toneladas deve ser meio tenso.
O Guarani possui capacidade anfíbia, e pode ser transportado por aviões C-130 Hercules. É o tipo de veículo necessário para qualquer Exército. E se o índice de nacionalização de 60% for alcançado rapidamente, não vamos precisar pagar IPI adicional por ele…












fonte:  http://www.jalopnik.com.br/conteudo/o-brasil-vai-fabricar-2-044-desses-blindados

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